|
A África do Sul se prepara para a próxima Copa do Mundo, no ano que vem e já investiu 30 bilhões de rands (moeda oficial), o equivalente a 3,75 bilhões de dólares, para a estruturação do evento. O país, que encanta por suas belezas, cultura e turismo, também sofre com problemas estruturais e o fantasma do Apartheid, se esforça de todas as maneiras para receber bem os jogos e os turistas.
“Mal podemos esperar”
Depois de enfrentar a desconfiança da Fifa para se tornar a o país-sede da Copa do Mundo de 2010, a África do Sul tenta ao menos minimizar a grande divisão racial ainda existente. Com uma população 80% negra, o país se une para o evento e por todas as cidades é possível encontrar cartazes com o lema: “We can´t wait” (mal podemos esperar). Cinco estádios receberão os jogos da Copa, o Moses Mabhida, por exemplo, possui até passarela com bondinho.
A atração da Copa
Johanesburgo, onde se localizam os maiores bairros negros do país (Soweto e South Western), com cerca de 4 milhões de habitantes, sediará a abertura e o encerramento da Copa no Soccer City, estádio que custou cerca de 1,5 milhão de rands (188 milhões de dólares). A cidade é responsável por 16% do PIB da África do Sul, concentra cerca de 74% das sedes das empresas presentes no país e terá praticamente uma partida por dia: os 15 jogos que acontecerão ali se dividirão entre os estádios de Soccer City e Ellis Park que passou por uma reforma que custou o equivalente a 27 milhões de dólares.
Fatores de preocupação
A sede da Copa prima pelas belas construções e reformas dos estádios, porém o transporte ainda é uma das principais preocupações. O sistema público é precário, e enquanto o governo tenta criar o Bus Rapid Transit System (BRT), a associação das vans não está satisfeita com a ideia. Elas circulam por todo o país e funcionam como táxis coletivos. Os tradicionais, como conhecemos no Brasil, são chamados de “Cabs” ou “Metered Táxis”, bem mais caros que as vans.
A difícil locomoção pelo país gera muitas preocupações não só pela baixa qualidade do sistema de transporte, mas também pela divisão das cidades em nichos de brancos e de negros. Há áreas requintadas como Sandton, onde se pode passear tranquilamente com máquinas fotográficas e filmadoras. Porém, existem bolsões isolados por onde é preciso passar para chegar a certos lugares, como Newtown, em que é perigoso circular. A sociedade ainda é muito dividida e apesar da extinção do apartheid, ainda há barreiras informais que fazem brancos e negros não serem bem aceitos no território “do outro”.
O sistema de segregação racial (apartheid) começou a ser desfeito a partir 1990 e a primeira eleição democrática da África do Sul aconteceu em 1994, levando ao poder Nelson Mandela e o partido do Congresso Nacional Africano.
Um pouco de história
A África do sul foi território do império britânico e se formou a partir da união de dois povos, os ingleses e os africânderes, descendentes de holandeses, franceses e alemães, primeiros caucasianos a habitar o local. Em 1910 formou-se a União da África do Sul, mas até essa união se formar muitos conflitos aconteceram, como a Guerra dos Bôeres (fazendeiro, em holandês), que entrou para a história como a guerra mais sangrenta do Império Britânico.
O país possui 11 idiomas oficiais, 9 são línguas negras, mas o inglês, língua branca, é falado em todo território, devido ao fato do país ter sido colônia britânica. O sul é ocupado predominantemente pelos povos nguni e possuem o zulu, xhosa, swati, e nebele como idiomas oficiais na região, alguns deles conhecidos pelos “estalos” feito pela língua no meio das palavras.
Com tantos ajustes, reformulações, investimentos e reformas que o país está fazendo, vale a pena conferir a repercussão da Copa do Mundo de 2010 na África do Sul. Após anos de guerras, massacres e conflitos raciais, a mudança está acontecendo e a nação parece se unir para esse evento de proporções mundiais.
|