Brasil é o terceiro maior consumidor; uso aumenta nos países em desenvolvimento
Um relatório divulgado no último dia 09, pelo Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crimes (UNODC), aponta que o Brasil é o terceiro país que mais consome drogas sintéticas no mundo, principalmente anfetaminas. Em primeiro lugar, está a Argentina, seguida pelos Estados Unidos. Calcula-se que o mercado de drogas sintéticas movimente US$ 65 bilhões.
A anfetamina tem sido muito usada por pessoas que buscam emagrecer, já que a droga inibe o apetite. No período de 2000 a 2002 e 2004 a 2006, aumentou 57% o consumo de drogas sintéticas produzidas legalmente. Os dados mostram que o consumo de anfetamina no Brasil era de dez doses diárias por mil habitantes, enquanto na Argentina era de 17. A produção dessas substâncias e de ecstasy também passa por mudanças: em vez de ficar apenas concentrada na Europa, está migrando para os mercados emergentes, segundo a UNODC.
A “Avaliação Global 2008 de Anfetaminas, Metanfetaminas e de Ecstasy” mostrou ainda que o uso de drogas sintéticas está crescendo nos países em desenvolvimento e se estabilizando e até diminuindo nos países desenvolvidos. O continente asiático é o que mais consome esses produtos: em 2006, houve um aumento no consumo de metanfetaminas em diversos países.
Custos mais baixos de produção aumentam consumo
O estudo constata que o consumo anual de drogas sintéticas já é superior ao de cocaína e heroína juntas. Uma das explicações desse fato é o custo mais baixo da produção de substâncias sintéticas, como a anfetamina: “as drogas sintéticas se tornaram altamente atraentes financeiramente. Com pouco investimento inicial, grandes quantidades de anfetaminas podem ser produzidas - praticamente em qualquer lugar”, avaliou o UNODC.
De acordo com a agência da ONU, os governos da América Latina e do Caribe se empenham no controle da cocaína, mas se esquecem de atentar para as anfetaminas. A UNODC afirma que a produção ilegal da droga pode estar aumentando nos países dessa região e seu uso relaciona-se a “prescrições indevidas e ao desvio para uso ilícito de estimulantes fabricados de forma lícita”.
Anfetaminas podem provocar anorexia
As anfetaminas estimulam o sistema nervoso central, por meio do neuro-hormônio norepinefrina, e ativam partes do sistema nervoso simpático. O coração passa a funcionar rapidamente e a atividade gastrointestinal é reduzida. A perda de apetite, provocada pelo uso constante de anfetamina, pode levar à anorexia (distúrbio alimentar em que o indivíduo busca magreza excessiva).
A droga pode, inicialmente, tornar o indivíduo eufórico, “ligado” e disposto. Por isso, alguns motoristas que precisam passar horas dirigindo consomem anfetamina, bem como esportistas. Depois, aparece inquietação, nervosismo, fadiga, paranóia, dores de cabeça e confusão. A dependência é capaz de provocar insônia, irritabilidade e alucinações. Algumas vezes, as anfetaminas podem levar a ataques cardíacos, até mesmo em jovens saudáveis.
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