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O cerrado é o segundo maior bioma do Brasil, perdendo apenas para a floresta amazônica. Seu ecossistema abrange mais de 10.000 espécies vegetais, uma grande variedade de vertebrados terrestres e aquáticos, além de um elevado número de invertebrados. Algumas espécies ameaçadas de extinção, como o lobo-guará e a onça-pintada, encontram no cerrado seu habitat natural. Além da biodiversidade, a região é rica em recursos hídricos, no bioma estão as nascentes das três principais bacias hidrográficas da América do Sul (Amazônica, da Prata e do São Francisco).
Apesar de sua importância, o cerrado, que já ocupou 25% do território nacional, tem hoje apenas 20% dos mais de 2 milhões de km² da cobertura vegetal original. Estudos realizados por ONGs de preservação ambiental apontam que o bioma é o um dos ambientes mais ameaçados do mundo e corre risco de desaparecer até 2030. O ritmo de desmatamento da vegetação é de 1,5% ou três milhões de hectares/ano, o equivalente a 2,6 campos de futebol/minuto.
O agronegócio
Por ser uma região de solos ácidos e pobres em nutrientes, até a década de 70, o cerrado não era considerado aproveitável para a agricultura. Porém, com o avanço nas técnicas de plantio e manejo do solo, se tornou importante produtor de grãos, carne e leite. Com a expansão do agronegócio as grandes propriedades passaram a ser maioria, o que contribuiu para os altos índices de desmatamento no cerrado. O sucesso no plantio de grãos e na criação de gado na região impulsionou o ritmo de corte, hoje já mais acelerado que o da floresta amazônica.
Corte de crédito
Para tentar conter a devastação do bioma, o presidente Lula assinou um decreto que prevê, a partir de setembro deste ano, punições para agricultores que desrespeitarem as leis ambientais. A medida mais polêmica é a que prevê o corte do crédito rural de produtores da região. O Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento no Cerrado também estimulará a proteção por meio de pagamento de serviços ambientais.
Um estudo recente realizado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) apontou que a taxa de desmatamento entre 2002 e 2008 foi de 0,69% ao ano. Neste período, o Cerrado perdeu 4,17% de sua vegetação (cerca de 85 mil quilômetros quadrados) o que equivalente a 57 vezes o tamanho da cidade de São Paulo.
Metas do clima
De acordo com a Lei aprovada pelo Congresso pouco antes da conferencia de Copenhague, em dezembro de 2009, combater o desmatamento do cerrado faz parte das metas do clima. O texto prevê que até 2020, o ritmo de corte da vegetação diminua 40%. Entretanto, o Código Florestal, prevê que apenas 20% da área dos imóveis rurais na região devem ser preservados contra os 80% exigidos na Amazônia.
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