Iniciativa leva trabalhadores a catar lixo para salvar água de SP.
Uma iniciativa da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) tem sido uma grande esperança para o problema do lixo urbano e da poluição das águas. Com a ajuda da população, a Companhia resolveu investir em uma operação chamada Defesa das Águas, ou "Cata bagulho", como é popularmente conhecida.
A proposta é fazer com que a própria população retire a enorme quantidade de lixo que se acumula nas margens da Represa de Guarapiranga, na zona sul, principal manancial da capital paulista. Em dois anos, a "Cata bagulho" já conseguiu tirar da represa cerca de 1,1 milhão de litros de resíduos, o que seria equivalente a 11 mil sacos de lixo grandes.
Como funciona a operação?
O trabalho é totalmente artesanal - diariamente, três homens a bordo de um pequeno barco recolhem com as próprias mãos o lixo que se acumula nas margens da Guarapiranga, represa responsável pelo abastecimento de quatro milhões de pessoas.
Em fevereiro deste ano, os recolhedores da represa bateram um recorde: cerca de mil sacos de lixo foram retirados da água. Essa enorme quantidade de lixo entope os dutos de captação de água para tratamento e de distribuição à população. As bombas do sistema de captação retêm a sujeira dentro do sistema, poluindo a água. Com a operação, a quantidade de lixo diminuiu, e as ações subaquáticas realizadas pela Sabesp não têm sido mais necessárias.
Mas e o lixo urbano, como reduzi-lo?
O lixo urbano é uma das grandes preocupações mundiais relacionadas ao meio ambiente. O lixo domiciliar, comercial, de feiras livres, de serviços de saúde e hospitalar, entre outros, cresce assustadoramente. À medida que a população aumenta, cresce também a quantidade de lixo produzido.
Pode parecer irrelevante, mas hoje um indivíduo produz meio quilo de lixo por dia. Dependendo de seu poder aquisitivo, essa quantidade pode aumentar para mais de um quilo por dia. Pouco? Imagine todos os seres humanos juntos, acumulando um quilo de lixo todos os dias! Não teríamos espaço nem para andar pelas ruas caso esse lixo não fosse devidamente tratado!
Para onde vai toda essa sujeira?
O problema do lixo urbano está justamente em seu destino. Cerca de 182.400 toneladas de lixo coletadas por dia ficam a céu aberto, ou seja, 76% do que é produzido. O resto vai para os aterros (controlados, 13%; ou sanitários, 10%), usinas de compostagem e incineradores e apenas uma insignificante parte é recuperada em centrais de reciclagem.
Um estudo apontou que o Brasil perde, por ano, R$ 4,6 bilhões no mínimo, pelo não reaproveitamento do lixo produzido. Isso acontece porque 40% dos municípios não recebem nenhum serviço de coleta de lixo, ou seja, 40 mil toneladas de lixo não são coletados diariamente. Além disso, apenas 80 municípios brasileiros, basicamente nas regiões Sul e Sudeste do país, fazem coleta seletiva.
A reciclagem é a solução
Embora tenha ficado comprovado que aterrar o lixo sai muito mais barato do que reciclar, a medida ainda não é a opção mais saudável para solucionar o problema, tanto do lixo, quanto do meio ambiente. Para quem não sabe, a cada cinquenta quilos de papel reciclado, uma árvore a menos é cortada. No caso do alumínio, para cada cinquenta quilos, evita-se que sejam retirados do solo cerca de mil quilos de minério.
Agora, imagine toda a quantidade de lixo acumulada nos aterros sanitários ou jogada na rua. Quanto material poderia ter sido reaproveitado e reciclado, não é mesmo? Quantas latinhas de refrigerante você jogou fora sem se preocupar em separá-las em lixeiras próprias? Quantos papéis você usa e não reaproveita? Muitas árvores você poderia ajudar a preservar, certo?
Então, o melhor caminho para o seu lixo é a reciclagem, principalmente do papel, papelão, metais, vidros, plásticos, borracha que podem ser reutilizado diversas vezes. Lembre-se que iniciativas como a da Sabesp são sempre bem vindas, por isso, pense nas suas atitudes diárias que podem ajudar o meio ambiente! Faça sua parte, comece pela coleta seletiva!
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