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Ecaterimburgo, cidade na região dos Montes Urais, na parte asiática da Rússia, foi palco da primeira cúpula presidencial dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), grupo de países emergentes mais importantes do mundo.
Na reunião, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, o chinês, Hu Jintao, o russo, Dmitri Medvedev, e o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, discutiram assuntos relacionados à crise econômica global, às mudanças climáticas, à reforma das instituições financeiras internacionais, às questões de segurança alimentar e de energia e ao papel do G20.
Entendendo os BRICs...
De acordo com economistas americanos, os BRICs formam o pelotão de elite das economias emergentes e são as próximas potências mundiais. A sigla foi criada em 2001 pelo banco de investimentos Goldman Sachs a partir da inicial dos países indicados - Brasil, Rússia, Índia e China.
Segundo o chefe da área de pesquisa econômica global do banco, Jim O'Neill, criador da sigla, a economia da China tende a ultrapassar a dos Estados Unidos no ano de 2027. Esse crescimento fará com que os BRICs superem as economias ricas do G7 (grupo que reúne os países mais industrializados do planeta) em menos de duas décadas. Ainda de acordo com O'Neill, o valor alcançado pela economia chinesa atingiria o valor de US$ 22,25 trilhões, o que a faria assumir o primeiro lugar no ranking das economias.
Pelo levantamento feito por O'Neill, os Estados Unidos estariam em segundo lugar, com uma economia estimada em US$ 21,61 trilhões; em terceiro lugar, a economia da Índia, com US$ 5,54 trilhões; em quarto, o Japão (US$ 5,39 trilhões); em sexto, a Alemanha (US$ 4,16 trilhões); em sétimo, a Rússia (US$ 4,02 trilhões) e, em oitavo, o Brasil (3,87 trilhões), na frente da França, da Itália e do Canadá.
Mas, o que o Brasil tem para fazer parte desse grupo?
Primeiro porque somos grandes produtores de commodities agrícolas, minerais e industriais. Na área de alimentos, a nossa agricultura surpreende pela produtividade e leva vantagens naturais, como ter mais de uma safra por ano. Na pecuária, somos também fortes concorrentes mundiais. Na área de bovinos, possuímos o maior rebanho comercial do mundo. Na área de aves e de suínos, a produção só é barrada pelo protecionismo de alguns países ricos que temem a concorrência.
Nas commodities minerais, o Brasil é um dos maiores produtores mundiais de ferro, além de outros minerais importantes, como manganês e urânio. No setor industrial, os destaques são a siderurgia (cujo crescimento só é ofuscado pelo crescimento chinês) e aeronáutico, onde a Embraer disputa a posição de terceiro maior fabricante mundial de aviões.
O Brasil sempre foi visto, dentro dos BRICs, como o país responsável por fornecer alimentos ao mundo, mas as descobertas do Pré-Sal mudaram essa percepção e se cogita que o país dividirá com a Rússia a função de produtor de petróleo.
OS BRICs dividem opiniões...
Economistas acreditam que será muito difícil que as economias ricas aceitem os emergentes no centro das decisões mundiais. Para alguns, excluir países como Brasil, China, Rússia e Índia do grupo das grandes potências é uma "ignorância histórica".
Para outros, os BRICs não passam de um grupo artificial e desigual e que têm uma única estrela, a China. Atualmente, a economia chinesa é do tamanho das outras três juntas, tendendo a aumentar. Economistas chineses afirmam que a economia chinesa é superior, mas isso não é um motivo para se criar um G2 com os Estados Unidos ou para fazer parte de um grupo de elite.
Diferenças não poderão deter o grupo
Mesmo com todas as diferenças, os BRICs devem se consolidar e, com sua agenda consensual, projetar para o mundo seus objetivos que se baseiam no reequilíbrio e na democratização da ordem internacional.
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