Espécies “estrangeiras” invadem os mares brasileiros.
Desde a descoberta do Brasil que espécies “estrangeiras” de vegetais e animais são incluídas no meio ambiente. A cana-de-açúcar, muito importante para a economia do país, por exemplo, é de origem asiática e foi trazida pelos colonizadores. Porém, com a globalização e aumento do comércio entre países este processo se intensificou e já causa preocupação e prejuízos ambientais e econômicos.
Por definição, a bioinvasão é o deslocamento de organismos vivos de uma região para outra, inadvertida ou intencionalmente. Recentemente a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) discutiu, em seu encontro anual, a introdução de espécies estrangeiras nos mares brasileiros. Isto porque alguns seres marinhos trazidos para cá nos porões dos navios ameaçam a biodiversidade nativa e causam danos a equipamentos resultando em importantes perdas econômicas.
O principal problema dessa invasão é que as algas, crustáceos, moluscos e outros seres muitas vezes não encontram predadores naturais fora de seu habitat, o que provoca uma reprodução indiscriminada que desequilibra a cadeia alimentar e ameaça as espécies nativas. No encontro da SBPC, os cientistas afirmaram que ainda não encontraram uma solução para o controle desses animais, pois uma vez inseridos e adaptados ao ambiente, eles se alastram com facilidade.
Água de lastro
Uma das principais responsáveis pela bioinvasão é a água de lastro. Captada de mares e rios, ela serve para dar equilíbrio às embarcações quando viajam sem carga. Ao chegar no porto de destino, esta água é liberada e, junto com ela, milhões de seres vivos fazem uma migração involuntária. Devido à sua extensa faixa litorânea e ao tráfego de embarcações mercantes internacionais, estima-se que cerca de 40 milhões de toneladas de água de lastro sejam lançadas no Brasil todos os anos.
A marinha brasileira exige que a água de lastro seja trocada em mar aberto antes que os navios cheguem aos portos. A medida, entretanto, não garante que todos os microorganismos sejam liberados, pois muitos podem ficar presos nos porões mesmo após a troca. A implantação de uma Convenção Internacional para Controle e Gestão da Água de Lastro e Sedimentos de Navios é a esperança dos biólogos para controlar as superpopulações de organismos estrangeiros. Porém, para entrar em vigor, ela precisa da assinatura de 30 países e, até o momento 26 países são signatários da convenção, entre eles o Brasil.
Segundo o pesquisador Flávio da Costa Fernando, do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira, a convenção prevê uma densidade máxima de organismos na água de lastro e sistemas de tratamento estão sendo desenvolvidos.
O mexilhão dourado
Um dos piores exemplos de bioinvasão no Brasil é o do mexilhão dourado (Limnoperna fortunei) molusco originário da China e introduzido no Brasil em 1998 por navios mercantes. O animal tornou-se uma praga nas bacias do Paraná, Paraguai, Uruguai e Bacia Jacuí/Patos e passou a ocupar o lugar de espécies nativas. Sem predadores naturais, todo o ecossistema começa a ser alterado com a presença do invasor. Nas usinas hidrelétricas, o molusco também prejudica a operação de equipamentos submersos e obstrui tubulações, chegando a interromper as operações.
Os prejuízos causados pelo mexilhão dourado motivaram uma campanha realizada pela Usina Hidrelétrica de Furnas onde o acúmulo de mexilhões afunda equipamentos flutuantes, prejudica a operação de equipamentos submersos e obstrui tubulações. Todos esse problemas são capazes de interromper a geração de energia, principalmente quando colônias de animais se fixam no sistema de resfriamento das turbinas.
Outros invasores
O Siri-bidu (Charybdis hellerii) é outro exemplo de bioinvasão. O crustáceo, que veio dos oceanos Índico e Pacífico, se espalhou pelo litoral do Maranhão e compete com os siris nativos, que servem de alimento e de renda para pescadores locais. Outra espécie animal, o Coral-sol (Gênero Tubastraea) é outro exemplo originário dos oceanos Índico e Pacífico e que se instalou no litoral de São Paulo e Rio de Janeiro, sendo considerado uma praga em Angra dos Reis. Apesar de ser muito bonito, ameaça o coral-cérebro, uma espécie nativa.
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