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Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avalia o uso indiscriminado de antibióticos pelos brasileiros e a cultura da automedicação. Segunda a agência, cerca de 50% das prescrições mundiais de antibióticos são incorretas, e diante desse fato avalia uma forma de impedir a venda sem a receita médica.
Medidas a serem adotadas
A própria Anvisa reconhece que o controle sobre a venda desses medicamentos é falha. A proposta é conseguir identificar uma maneira de acompanhar em tempo real a compra desses produtos. A retenção da receita médica e a identificação do comprador são ações cogitadas, e também se prevê a possibilidade de incluir esses antibióticos entre os medicamentos de uso controlado, com registro obrigatório de dados da receita, tornando o processo igual ao que já ocorre para o controle dos psicotrópicos.
As farmácias serão obrigadas a recolher os dados da prescrição médica e notificar eletronicamente a venda à Vigilância Sanitária, mas existe a dificuldade de providenciar um sistema que tenha essa agilidade e que suporte tantos acessos simultaneamente. A receita médica também será exigida e deverá estar carimbada. Com este método a Vigilância Sanitária será informada se determinado médico está exagerando nas receitas de um remédio para um mesmo paciente.
O diretor-presidente da Anvisa, Raposo de Mello, afirma que a medida deverá ser implementada ainda este ano, no segundo semestre. "As infecções comunitárias no Brasil estão crescendo porque há uma falta de regulamentação muito grande sobre os antibióticos", admite Dirceu.
Retaliação para quem não cumprir a nova lei
As farmácias que não adaptarem as vendas dos antibióticos às novas regras estarão sujeitas a punições como multas e até mesmo a interdição do estabelecimento, o que já ocorre para aqueles que não cumprem o controle exigido para outros medicamentos.
Campanha de conscientização
Não adiantam apenas novas exigências para a compra dos medicamentos, é necessário também extinguir a cultura de automedicação presente no Brasil. Representantes da Anvisa e de outras dez entidades estão formulando uma campanha nacional pelo uso racional dos antibióticos. Palestras serão ministradas com o objetivo de instruir os farmacêuticos a não fornecer medicamentos sem receita, e folhetos informativos serão distribuídos nas farmácias para a população, orientando os consumidores a não tomar os medicamentos sem a prescrição do médico.
Este tipo de ação conseguiu reduzir em mais de 25% o consumo de antibióticos na França, onde uma campanha semelhante foi adotada no período de 2002 e 2007
Efeitos colaterais
O uso indiscriminado traz conseqüências perigosas. Alguns tipos de bactérias já têm resistência a determinados antibióticos, e segundo médicos o uso indevido de antibióticos pode afetar o funcionamento dos rins, fígado e causar diarréia ou até mesmo gastrite.
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