Anvisa detecta excesso de agrotóxicos em vegetais.
Em busca de uma alimentação mais saudável e equilibrada, procura-se comer mais vegetais e grãos. No entanto, uma análise feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revelou que nem sempre esses alimentos são o que se pode considerar saudáveis. A agência analisou em torno de 1700 amostras de 17 itens, e detectou altos índices de agrotóxicos em vários deles.
Os escolhidos para teste foram: batata, pimentão, morango, alface, tomate, maçã, banana, mamão, cenoura, laranja, abacaxi, cebola, manga, uva, repolho, arroz, feijão. Dentre esses, o pimentão apareceu em primeiro lugar no ranking dos que tiveram mais amostras com muito agrotóxico, seguido por morango, uva e cenoura. Os itens com problemas em menor número de amostras foram manga, banana e batata.
As amostras analisadas foram comercializadas em 2008, em todos os estados brasileiros, exceto Alagoas. Esse programa da Anvisa é realizado desde 2001. Em 2007, o tomate foi o alimento com mais irregularidades encontradas: 45% das amostras tinham problemas. Em 2008, esse percentual caiu para 18%.
Agrotóxicos no Brasil
Em 2008 o Brasil ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o país que mais consome agrotóxicos no mundo. O mercado na área é US$ 7 bilhões em 2008 no setor. Fora o excesso na utilização, há um problema de controle nos tipos usados. A Anvisa detectou, em todos os 17 alimentos, substâncias proibidas no Brasil, como o metamidofós, usado na cultura do tomate.
Dados do Sistema Integrado de Comércio Exterior mostram que, em 2008, mesmo ano em que a China proibiu o produto internamente, foram exportados para o Brasil 4,2 mil toneladas. Nos dois primeiros meses de 2009, já entraram no país 4,4 mil toneladas de metamidofós.
Há também produtos permitidos no Brasil e proibidos em vários outros países. A agência reavaliará o registro de 13 substâncias para decidir se elas devem ser proibidas.
Agricultor e consumidor sofrem
Há dois tipos de agrotóxicos a serem usados: os de uso externo, que são pulverizados sobre a plantação, e os de uso interno, aplicados diretamente no solo. Os primeiros podem ter o excesso removido com a lavagem caseira dos alimentos, mas os agrotóxicos de uso interno dificilmente são removidos.
Quem come alimentos com excesso de agrotóxicos pode sofrer diversos males, entre eles câncer. Além disso, o agricultor, ao manipular diretamente o produto, também corre o risco de ser vítima de intoxicações e doenças. Em 2006, de acordo com a Fiocruz, foram registrados cerca de 1900 intoxicações em agricultores.
Ação entre ministérios
O ministro da saúde, José Gomes Temporão, sugeriu uma ação coordenada entre os ministérios da Agricultura, da Saúde e do Meio Ambiente para fiscalizar o uso de agrotóxicos entre os produtores.
Para os consumidores, o governo aconselhou o uso de vegetais orgânicos ou de alimentos com origem identificada.
Relatório levanta discussão
Em meio ao barulho gerado pela divulgação dos dados da Anvisa, a Folha de S. Paulo entrevistou toxicologistas para falar sobre o assunto. Eduardo Mello De Capitani, toxicologista da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), apontou lacunas no levantamento da Anvisa. Segundo ele, vários tipos de agrotóxicos são usados nos alimentos, e o levantamento da Anvisa esclarece quais estão em excesso. O relatório também não aponta o quanto esses agrotóxicos excedem o limite. De Capitani observa que há diferença entre a pessoa ingerir um alimento com teor de agrotóxico um ponto acima do limite e outro com 20 pontos acima.
O efeito maléfico do consumo dessas substâncias pode demorar anos para aparecer. Entretanto, não é preciso deixar de consumir os alimentos avaliados, já que o risco da exposição aos agrotóxicos é menor do que o benefício potencial do consumo de frutas e legumes. Apesar disso, o ministro da saúde declarou que cortará o pimentão de sua dieta...
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