Estudo mostra que ele pode causar dependência.
Além de engordar, o açúcar pode trazer outro prejuízo: causar dependência química. Foi o que concluíram pesquisadores da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, após realizarem experiências com ratos. O estudo, apresentado na última quarta-feira, no Arizona, mostrou que a oferta de grandes quantidades de açúcar fazia com que os animais sentissem abstinência e desejassem mais doces.
O estudo constatou também que os ratos ingeriam mais açúcar quando estavam com fome, situação que ocorre com dependentes de nicotina, por exemplo. Após a ingestão do açúcar, os níveis de dopamina aumentavam no organismo desses animais, fenômeno que pode causar a dependência.
Depois de um mês de experiências, os receptores de opióides aumentaram no cérebro dos ratos e, os de dopamina, diminuíram. Esse tipo de alteração ocorre em organismos que ingerem drogas como heroína e cocaína.
Diversos tipos de açúcar
Extraído da cana-de-açúcar e da beterraba, o açúcar é um hidrato de carbono, apresentando a fórmula (CH2O)n. Esse carboidrato (glicídio) fornece energia ao organismo, atua como anticoagulante, ativa o sistema imunológico e ainda participa da constituição dos ácidos nucléicos (DNA e RNA).
O açúcar é classificado em quatro categorias, subdivididas em diferentes tipos.
Monossacarídeos: açúcares simples - Glicose - Frutose - Galactose - Manose - Pentose - Ribose
Dissacarídeos: açúcares formados por duas moléculas de monossacarídeos - Sacarose - Maltose - Lactose
Trissacarídeos: açúcares formados por três moléculas de monossacarídeos - Rafinose
Polímero: açúcares formados por várias moléculas de monossacarídeos - Amido - Glicogênio - Celulose - Quitina
Um açúcar muito conhecido por todos nós é a sacarose (C12H22O11), usada para adocicar alimentos e bebidas. Formado por uma molécula de glicose e uma de frutose, esse glicídio não oferece nutrientes aos seres vivos e, por isso, seu consumo deve ser moderado.
A glicose (C6H12O6), presente em diversas frutas e obtida industrialmente do amido, é outro açúcar importante. Quando ela se encontra em baixos níveis no sangue, diz-se que o indivíduo apresenta hipoglicemia, que pode causar sudorese, fraqueza e sonolência, entre outros sintomas. Se o nível de glicose é maior que 126 mg, o quadro é de hiperglicemia, que provoca sede excessiva, cansaço e maior necessidade de urinar.
Polímero da glicose, o glicogênio é de fundamental importância, pois ele armazena glicose nas células animais. Sua síntese, estimulada pela insulina, acontece principalmente no fígado e nos músculos, de onde é liberado para o organismo, quando este apresenta baixo teor de glicose. Diabetes: excesso de glicose
Para a glicose passar da corrente sangüínea às células, é necessário que o organismo produza o hormônio insulina. Em pessoas diabéticas, a glicose fica no sangue (glicemia) ou vai direto para a urina, não sendo aproveitada.
Existem alguns tipos de diabetes. Na diabetes mellitus tipo 1, o pâncreas produz pouca ou nenhuma quantidade de insulina. A diabetes mellitus tipo 2 é caracterizada pela síntese normal de insulina e o mau funcionamento dos receptores de glicose da células.
Os principais sintomas da doença são sede intensa, aumento do apetite, maior necessidade de urinar e dificuldade de cicatrização. A diabetes não tem cura, mas pode ser controlada com medicamentos, novos hábitos alimentares e prática de exercícios.
Açúcar na história do Brasil
Até a Idade Média, o açúcar consumido na Europa era proveniente do Oriente e o comércio desse produto era dominado pela cidade italiana de Veneza. No século XV, o monopólio veneziano passou a ser ameaçado: os portugueses começaram a cultivar o artigo na ilha da Madeira e, os espanhóis, nas Canárias.
O cultivo feito pelos portugueses foi tão próspero que eles decidiram trazer para o Brasil, pelas mãos de Martim Afonso de Souza, as mudas da cana-de-açúcar. Construíram engenhos, principalmente em Pernambuco e na Bahia, compostos pela casa-grande, a senzala e a casa de engenho, onde a cana era moída e fervida, originando o açúcar.
E o produto deu certo no país. Isso porque os colonos portugueses eram experientes no seu cultivo, o produto era valorizado no comércio internacional e o Brasil contava com o clima tropical e com o solo de massapê, favoráveis para esse tipo de plantio.
Porém, os lucros gerados pelo cultivo atraíram interesses. A maior região produtora de açúcar do Brasil, o Nordeste, foi alvo de ataques dos holandeses. Interessados no comércio do artigo, eles implantaram um governo em nosso território.
Depois de serem expulsos do Brasil, os holandeses passaram a cultivar a cana em suas colônias. Conhecedores das técnicas de refino e comercialização do açúcar, concorriam em melhores condições com os portugueses, levando à queda do preço do produto no mercado internacional.
Apesar disso, ainda hoje o Brasil é o maior exportador de açúcar do mundo, sendo responsável por mais da metade das vendas desse produto. De acordo com o estudo "Projeções do Agronegócio Brasil 2008/2009 a 2018/2019", divulgado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), até 2018 a participação do país nas exportações de açúcar será de 74,3%.
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